segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Pollyana aponta necessidade de se investir em Conhecimento e Pesquisa



Pollyana foi a oradora oficial da Solenidade em comemoração ao Dia do Cientista, que homenageou os professores Dr. Edson Trajano Vieira e Dr. Julio César Voltolini, da Unitau.

Confira o discurso da vereadora:


Sinto-me muito à vontade para falar sobre o Dia do Cientista por ter sempre acreditado no Poder do Conhecimento. Sempre afirmei que a construção de um país mais desenvolvido e justo socialmente passa necessariamente pelo investimento na Educação e na Ciência.

Nosso atual cenário econômico nos leva a refletir sobre a importância de se enxergar ciência e a educação como prioridades.
Aliás, fazendo uma parêntese, é importante destacar que a Ciência e a Educação são áreas correlatas e que não podem jamais se desassociar. Deste modo, para se começar a investir na Ciência e nas atividades científicas em nosso país, é essencial que se invista primeiramente em uma Educação Básica de qualidade, que propicie aos estudantes uma visão empreendedora, abrangente e um interesse pela Pesquisa e Soluções Sustentáveis para as nossas principais agendas.

Mas voltando ao cenário econômico... Já não é de hoje que observo o movimento de nossa engrenagem econômica e os resultados diretos trazidos pela falta de investimento em Pesquisa, Conhecimento e Tecnologia em nosso país.

Digo isso porque sendo o Brasil um grande exportador de commodities, isto é, matéria-prima bruta, torna-se inadmissível observar que compramos de volta dos países que investem em Ciência os produtos finais, resultados da transformação de nossas riquezas.

Sendo mais clara, o movimento acontece assim: O Brasil manda a matéria-prima in natura, e os países ricos, que investem no conhecimento e na criação de tecnologia de ponta os transformam para vender de volta ao Brasil, por um preço muito mais alto, o produto acabado.

Então falta-nos a capacidade de produzir? Não! Faltam-nos investimentos, sobretudo do setor privado, pois, ainda que os dispêndios nacionais em Ciência e Tecnologia tenham apresentado crescimento, chegando a R$ 85,6 bilhões, segundo dados apresentados pelo Governo Federal, referentes a 2013, isso representa apenas 1,66% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

E digo isso porque além desse movimento dos produtos que exportamos e importamos, devemos também destacar e lamentar porque exportamos cabeças pensantes. Gente talentosa, que se dispõe a gerar pesquisas de extrema relevância para o país, mas que não é estimulada a produzir.

Nessa mesma engrenagem da cadeia produtora, observamos brasileiros que, para dar andamento aos seus estudos, precisam recorrer a institutos internacionais. Esses pesquisadores recebem estímulos e investimento e, ao se tornarem estudiosos de destaque mundial acabam sendo absorvidos pelos grandes Centros de Pesquisas Internacionais. Então, aquele produto oriundo de matéria-prima brasileira passa também pelas mãos de profissionais brasileiros para retornarem ao solo brasileiro como produto dotado de valor agregado e, consequentemente, com valores muito mais altos.

Logo, diante dessa realidade, concluímos que também no campo da economia há de se apontar que a falta de incentivo à Produção Científica colabora para um mercado profissional restrito e até obsoleto.
Como já disse em outras oportunidades, concluí há pouco tempo o Mestrado em Desenvolvimento Humano pela Universidade de Taubaté. Aliás, abro aqui outro parêntese para dizer que, ainda que presenciemos uma realidade tímida no campo da produção científica, podemos dizer que é um orgulho ver a Unitau como instituição que contribui para o fomento de estudos científicos.

Voltando... Ao realizar meus estudos para a dissertação de Mestrado, fiz uma pesquisa entre licenciandos de nossa região e lamentavelmente constatei em meus estudos, entre outros apontamentos, a acentuada e crescente falta de interesse pela docência na área de Exatas.

Percebo estes dados como um importante indicador da falta de investimento na formação humana e, por consequência na impossibilidade de se estimular e capacitar nossos jovens ao universo científico.
Contudo, a solenidade do Dia do Cientista tem o propósito de celebrar. E por isso, destaco pequenas iniciativas que incentivam a produção científica e a busca pelo conhecimento. No último sábado, vi pela TV, um quadro no programa de Luciano Hulk que estimula jovens que desenvolvem a capacidade empreendedora com projetos de pesquisa. A baiana Geórgia Gabriela então apresentou seu projeto ENDOMETRIOSE, com a finalidade de produzir um kit de exames de baixo custo, acessível e pouco invasivo para o diagnóstico dessa doença que acomete milhões mulheres no Brasil e no mundo.

A estudante de 19 anos não se intimidou com os obstáculos e a falta de incentivo que encontrou em nosso país e, ao tomar conhecimento de um concurso para jovens pesquisadores em Havard, nos Estados Unidos, se inscreveu e foi uma das cinco selecionadas. E não parou por aí: Os estudos de Geórgia ganharam proporção e ela foi selecionada para 10, isso mesmo: 10 INSTITUIÇÕES DE ENSINO AMERICANAS para estudar e desenvolver a sua pesquisa.
(Mais um talento brasileiro reconhecido fora daqui).

Já no âmbito regional, podemos destacar ações como as desenvolvidas pelo Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais (NUPES), da Unitau, que contribui na formatação de dados indicadores para diversas áreas sociais. Dentre as principais, podemos destacar os apontamentos realizados sobre as variações da Cesta Básica e dos índices de empregabilidade regional.

Muitos podem não saber, mas pesquisadores da nossa Universidade de Taubaté compuseram, por exemplo, a equipe de criação de tecnologias para a produção das Urnas Eletrônicas, usadas nos processos eleitorais de nosso país e, hoje, reconhecidas por outros países como um dos métodos mais seguros e eficientes de votação em todo o mundo.
Portanto, ao tomar conhecimento dos dois lados – da falta de investimento, mas também das iniciativas de fomento à Ciência – , podemos aqui refletir e concluir que somos capazes, somos potentes, mas precisamos tomar posse do conhecimento e nos tornarmos protagonistas da história que queremos construir para o futuro de nosso país. E o futuro requer conhecimento!

-----------------------------------------------
HOMENAGEADOS



E como citamos, não podemos deixar de reconhecer que temos o nosso patrimônio científico. Um deles é, sem dúvida, o Prof. Dr. Edson Trajano Vieira, que é formado em Economia pela Universidade de Taubaté, Mestre também em Economia, pela Universidade Mackenzie e Doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo (USP).

Professor Trajano, como é conhecido, atualmente é professor e Pesquisador da Universidade de Taubaté, onde desempenha as funções de Diretor do Instituto Básico de Humanidades; Professor dos Programas de mestrados: Planejamento e Desenvolvimento Regional e Gestão e Desenvolvimento Regional; Professor de Graduação nos departamentos de Ciências Sociais e Letras e Economia, Administração e Ciências Contábeis; Pesquisador do NUPES – Núcleo de Pesquisa Econômicas e Sociais; Coordenador de dois projetos de pesquisa na área de Economia Criativa e desenvolvimento regional; Coordenador de dois projetos de extensão na área de economia solidária e desenvolvimento regional; um dos coordenadores do Projeto Rondon e Coordenador do Curso de Especialização Política e Sociedade no Brasil Contemporâneo. Além disso, é também professor, em tempo parcial, do Centro Universitário Módulo de Caraguatatuba.

É autor de uma extensa lista de trabalhos científicos, dos quais destacamos dezessete artigos publicados em periódicos (revista científica, anexo A) nacional e internacional nos últimos 3 anos, e a produção de capítulo de livro publicado e relatórios técnicos de pesquisas realizadas pelo NUPES.

Ao ler seus incontáveis títulos, chamaram a minha atenção e despertaram o meu interesse os trabalhos A Educação como ferramenta para o Desenvolvimento, publicada na revista MERIDIANO, de Buenos Aires, na Argentina e o artigo A Relevância da atividade empreendedora para o Desenvolvimento Econômico de um país, publicado na revista  CIENTÍFICA ON-LINE TECNOLOGIA GESTÃO HUMANISMO – FATEC – São Paulo.

Além de sua contínua produção científica, e sempre com o propósito de contribuir nas discussões econômicas e se utilizando de sua atuação como pesquisador, Professor Trajano também é Colunista semanal do jornal O VALE – Coluna Seu Bolso; Comentarista de Economia do Jornal Novo Tempo, da TV NOVO TEMPO; Comentarista de Economia do Programa Santa Receita, da TV Aparecida e Comentarista de Economia da Rádio Cultura de Taubaté.

Por ser um entusiasta da Pesquisa e da produção do Conhecimento, o professor merece nossos agradecimentos e nossos aplausos!





Nosso próximo homenageado é o Professor Dr. Julio César Voltolini, que é formado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Mestre em Zoologia (Ecologia de Mamíferos) pela Universidade de São Paulo (USP) e Doutor em Biologia Vegetal (predação e dispersão das sementes) pela Unesp.
Professor Julio é professor concursado pela Universidade de Taubaté, onde leciona Ecologia, Bioestatística, Evolução. Foi também, entre 1998 e 2008, membro da comissão que administra as monografias de conclusão de curso e coordenador do Grupo de Pesquisa e Ensino em Biologia da Conservação (ECOTROP). Atuou como professor convidado da UNESP de Botucatu, ministrando disciplinas de pós-graduação em Estatística aplicada a Ecologia e nos cursos de Ecologia de Campo da UNICAMP, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS).
Atuou como professor convidado e bolsista da CAPES no Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR). Foi professor convidado do Programa de Doutorado do Instituto Gulbenkian (África - Cabo Verde), além de ter sido editor-chefe da Revista Biociências.
Atualmente, presta serviços de assessoria em delineamento experimental e análise estatística. Ministra cursos de Ecologia de Campo e Estatística. É membro eleito da diretoria da Sociedade de Ecologia do Brasil (SEB) e membro da International Association for Statistical Education.
Em sua trajetória, participou de trinta congressos no Brasil e nove no exterior. Possui cento e vinte trabalhos apresentados em congressos no Brasil e oito no exterior. Devido ao interesse em educação, oitenta destes trabalhos são, em sua maioria, parte de projetos desenvolvidos por alunos de graduação nas disciplinas de Ecologia, Educação para Ciência e Bioestatística.
Nosso homenageado atuou como professor universitário em quatro instituições de ensino e pesquisa e orientou cinquenta monografias de graduação.
Suas áreas de interesse são a Biologia da Conservação, Ecologia teórica, Ecologia de Mamíferos, Ecologia de Palmeiras, Predação e Dispersão de Frutos e Sementes, Ecologia de Dossel, Estatística aplicada a Ecologia, Métodos de Campo em Ecologia e principalmente em ensino de Biologia da Conservação e Estatística através de cursos de campo.
Seu currículo se estende a muito mais do que esse resumo, o que demonstra sua incondicional dedicação ao conhecimento e sua significativa contribuição no desenvolvimento e no avanço de questões relacionadas à Vida. Por seus feitos, Prof. Julio Voltolini merece o nosso reconhecimento e uma grande salva de palmas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário